Mais um dia! Uff, com um sorriso!Finalmente em casa! Hoje não me posso queixar do meu dia de trabalho. Embora cansativo, tive algumas retribuições ao meu saco de palavras enquanto signo gráfico. Trouxeram-me algumas caixas de “S’s” de sorriso e “A’s” de amabilidade. Até me ajudaram a compor uma questão burocrátio-legislativa que me fez reforçar a ideia de que o ser humano é uma constante surpresa de libertação!!!
Desejo com infinita ânsia a chegada do dia em que o Homem finalmente transformou os decretos-leis da sua vida em poesia para o espaço!
( Será que é deste meu desejo que advém a minha mais intranquila insatisfação?)
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- leitura de apoio -
A Condição Humana - Prólogo
Hannah Arendt
“Em 1957, um objeto terrestre, feito pela mão do homem, foi lançado ao universo, onde durante algumas semanas girou em torno da Terra segundo as mesmas leis de gravitação que governam o movimento dos corpos celestes - o Sol, a Lua e as estrelas. É verdade que o satélite artificial não era lua nem estrela; não era um corpo celeste que pudesse prosseguir em sua órbita circular por um período de tempo que para nós, mortais limitados ao tempo da Terra, durasse uma eternidade. Ainda assim, pode permanecer nos céus durante algum tempo; e lá ficou, movendo-se no convívio dos astros como se estes o houvessem provisoriamente admitido em sua sublime companhia. Este evento, que em importância ultrapassa todos os outros, até mesmo a desintegração do átomo, teria sido saudado com a mais pura alegria não fossem as suas incômodas circunstâncias militares e políticas. O curioso, porém, é que essa alegria não foi triunfal: o que encheu o coração dos homens que, agora, ao erguer os olhos para os céus, podiam contemplar uma de suas obras, não foi orgulho nem assombro ante a enormidade da força e da profeciência humanas. A reação imediata, expressa espontaneamente, foi alívio ante o primeiro"passo para libertar o homem de sua prisão na terra". E essa extranha declaração, longe de ter sido o lapso acidental de algum repórter norte-americano, refletia, sem o saber, as extraordinárias palavras gravadas há mais de vinte anos no obelisco fúnebre de um dos grandes cientistas da Rússia: "A humanidade não permanecerá para sempre presa à terra". (…)”
(Transcrito de: Hannah Arendt, A Condição Humana. Tradução de Roberto Raposo; introdução de Celso Lafer. Rio de Janeiro, Forense Universitária, 1981, p. 9-13).
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A Condição Humana - René MagritteVERDE ESPERANÇA!!!!